A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito sobre as mortes de Everaldo Gregório de Souza, 60 anos, e Thomas Stephen Lydon, 65, ocorridas em junho, em Governador Valadares.
O relatório final, assinado pelo delegado Ciro Trindade Roldão de Carvalho e entregue ao Ministério Público, indiciou cinco pessoas por homicídio qualificado e outros crimes.
As investigações apontaram que uma irmã de Everaldo e um amigo próximo de Thomas, ambos com acesso à residência e rotina das vítimas, lideravam o grupo.
As mortes haviam sido registradas inicialmente como naturais.
A investigação mudou de rumo após familiares relatarem que não foram informados sobre a internação de Everaldo e que o corpo de Thomas foi enterrado rapidamente, sem comunicação à família.
A Polícia Civil identificou movimentações financeiras superiores a R$ 5 milhões nos últimos dois anos, incompatíveis com as rendas declaradas pelos investigados.
Entre as operações apuradas estão o resgate de R$ 379 mil de uma aplicação em nome de Everaldo após sua morte, a tentativa de venda de um imóvel avaliado em R$ 950 mil e a transferência de R$ 120 mil para contas ligadas ao grupo.
O inquérito aponta que os suspeitos agiram de forma premeditada.
Medicamentos de uso controlado foram adquiridos com receita falsificada no dia 9 de junho. A prescrição utilizava dados de uma médica que nega ter emitido o documento.
Nas buscas, a polícia apreendeu receituários do SUS em branco e carimbos de profissionais de saúde.
As mortes passaram a ser tratadas como suspeitas após a exumação dos corpos. O exame toxicológico detectou a presença de Fenobarbital em ambos.
No caso de Everaldo, o laudo também indicou sinais de espancamento. Segundo a perícia, a substância pode causar parada cardiorrespiratória quando administrada em doses elevadas.
A polícia também identificou que um dos investigados detinha uma procuração com poderes amplos para representar Everaldo, o que permitiu restringir o acesso da família a informações médicas e documentos.
Há ainda indícios de lavagem de dinheiro por meio de contratos simulados e movimentações bancárias circulares.
Quatro investigados foram indiciados por homicídio qualificado, falsificação de documentos, uso de documento falso, estelionato, lavagem de dinheiro, associação criminosa e fraude processual.
Uma advogada foi indiciada por coação no curso do processo por tentar influenciar testemunhas.
O motivo dos crimes, segundo a Polícia Civil, foi patrimonial.
Everaldo e Thomas mantinham união estável e possuíam imóveis e aplicações de alto valor.
Após as mortes, o grupo iniciou manobras para se apropriar dos bens.
Em fases anteriores, a corporação já havia identificado movimentações superiores a R$ 1,3 milhão e solicitado o bloqueio judicial de R$ 1,5 milhão para resguardar os herdeiros.
Um dos investigados também responde a outros procedimentos, incluindo suspeitas relacionadas ao desaparecimento de uma prima e à morte da própria mãe.
Com o envio do relatório final, o Ministério Público analisará os indiciamentos para decidir sobre o oferecimento da denúncia.
Os dois principais suspeitos permanecem presos preventivamente.




