A operação “Casa de Farinha”, do Ministério Público de Minas Gerais, desarticulou um esquema estruturado de fraudes tributárias envolvendo empresas de industrialização e marketing digital, com foco na falsificação de suplementos.
A ação resultou na prisão de dois homens, de 29 e 35 anos, e no cumprimento de cerca de 17 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais e Goiás — incluindo Governador Valadares.
Além de Valadares, os mandados foram executados nas cidades mineiras de Arcos, Lagoa da Prata e Campo Belo, além de Caldas Novas ( GO ). A investigação aponta que o esquema pode ter prejudicado aproximadamente um milhão de consumidores, com danos aos cofres públicos estimados em até R$ 100 milhões.
As autoridades também determinaram o bloqueio de cerca de R$ 1 bilhão em bens ligados ao grupo investigado.
Os envolvidos podem responder por crimes como associação criminosa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, além de infrações contra a saúde pública e o consumidor.
Segundo as apurações, os suplementos comercializados apresentavam inconsistências entre os insumos utilizados e o que era prometido aos clientes. A vigilância sanitária identificou irregularidades na fabricação, levantando suspeitas de possíveis danos à saúde dos consumidores.
A investigação teve início após denúncia anônima e diversas reclamações registradas na internet. Um dos mecanismos usados pelo grupo era declarar a maior parte do valor dos produtos como livros digitais ( e-books ) nas notas fiscais, estratégia utilizada para obter imunidade tributária.
De acordo com a promotora de Justiça Janaína de Andrade Dauro, a empresa investigada opera desde 2018, com sede em Arcos. “Foi identificada uma estrutura organizada, com núcleos distintos de produção, logística e comercialização”, explicou.
O nome da operação faz referência à novela Três Graças, que retrata, em um de seus enredos, uma fábrica clandestina com atuação semelhante à identificada pelos investigadores.




