A advogada criminalista Ana Paula Rocha foi identificada como a vítima do feminicídio registrado na noite desta terça-feira ( 16 ), em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce.
Ela foi morta a tiros pelo ex-companheiro, que, logo após o crime, tirou a própria vida.
Reconhecida por sua atuação na área jurídica, Ana Paula trabalhava como advogada criminalista em Governador Valadares. Em suas redes sociais, se apresentava como mãe de três filhos e reunia cerca de 1,5 mil seguidores.
Segundo o tenente Maurício Corrêa, da Polícia Militar de Minas Gerais ( PMMG ), o casal possuía histórico de violência doméstica. A vítima estava em processo de separação e havia registrado, no último dia 14 de junho, uma ocorrência por descumprimento de medida protetiva.
“Ela relatou que o autor se aproximou, proferiu ofensas e ameaças, o que motivou um novo registro policial”, explicou o militar.
Ainda de acordo com a PM, horas antes do crime estava prevista uma visita preventiva à advogada, dentro do programa de acompanhamento de mulheres vítimas de violência doméstica.
“Cerca de duas horas antes da ocorrência, tentamos realizar uma visita institucional para prestar orientações e reforçar a segurança da vítima, além de alertar o autor sobre as consequências do descumprimento das medidas judiciais. No entanto, ela não foi localizada no endereço informado. Pouco tempo depois, fomos acionados para atender essa tragédia”, relatou o tenente.
As informações preliminares apontam que Ana Paula havia acabado de deixar o trabalho, acompanhada de funcionárias, quando foi surpreendida pelo ex-companheiro em um estacionamento. Ao perceber a presença dele, ela tentou sair do local, mas foi alcançada.
“O autor cercou a vítima e efetuou os disparos. Em seguida, atentou contra a própria vida”, informou o oficial.
Em nota, o Grupo Mulheres do Brasil – Núcleo Governador Valadares lamentou o feminicídio e manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de Ana Paula.
“O feminicídio não é uma tragédia inevitável. É a consequência extrema de uma violência que, muitas vezes, apresenta sinais, denúncias e pedidos de socorro que não podem ser ignorados”, destacou a entidade.
O grupo também reforçou a necessidade de ampliar o combate à violência contra a mulher e afirmou que cada vítima de feminicídio representa uma perda irreparável para toda a sociedade.
“Que a memória de Ana Paula Rocha fortaleça nossa determinação de construir uma sociedade onde nenhuma mulher tenha sua vida interrompida pela violência”, concluiu a nota.
📸 Cedida à VEMVEGV


