Presidente afirmou que não haverá novas eleições no país para impedir a chegada da oposição ao governo. Declarações ocorreram durante ato pelos 47 anos da Revolução Sandinista.
Daniel Ortega descarta novas eleições na Nicarágua
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, declarou neste domingo ( 19 ) que o país não realizará novas eleições.
Segundo o mandatário, a medida tem como objetivo impedir que a oposição chegue ao poder.
Há anos, opositores denunciam fraudes eleitorais e a falta de liberdades civis no país.
A declaração reforça o cenário de tensão política e amplia as críticas ao governo.
Declaração foi feita durante ato em Manágua
Daniel Ortega afirmou que os opositores estão “à espreita” e disse que a maioria deles vive atualmente no exílio.
Durante um evento em Manágua, em comemoração ao 47º aniversário da Revolução Sandinista, o presidente declarou:
“Eles gostariam de vencer as eleições para lucrar com as escolas. Mas que esqueçam isso: aqui não haverá mais eleições, para que não tentem, por esse caminho, tomar o governo e o poder.”
Governo promete novas leis contra opositores
Além da declaração sobre as eleições, Ortega afirmou que a Assembleia Nacional, controlada pelo governismo, trabalhará para aprovar novas leis.
Segundo o presidente, a intenção é criar “um muro, um bloqueio contra os golpistas e os traidores da pátria”. Em seguida, acrescentou:
“Por mais dinheiro que os ianques ( EUA ) lhes deem, eles não conseguirão.”
Ortega, ex-guerrilheiro de 80 anos, governa a Nicarágua desde 2007.
Reformas constitucionais alteraram o calendário eleitoral
A Nicarágua deveria realizar eleições gerais em novembro. No entanto, profundas reformas constitucionais, criticadas pela ONU, pela OEA e pela oposição, entraram em vigor no início de 2025.
Dessa forma, o mandato presidencial passou de cinco para seis anos. Assim, em tese, as próximas eleições gerais ocorrerão apenas em novembro de 2027.
Organização reage às declarações
Após o pronunciamento de Daniel Ortega, o coletivo Nicaragua Nunca Más, que atua a partir da Costa Rica, afirmou que o governo retirou da sociedade civil todos os seus direitos.
A organização fez a declaração em reação às falas do presidente durante o ato oficial.





