O Brasil tem hoje 826.371 crianças na fila por uma vaga em creche, segundo o levantamento Retrato da Educação Infantil 2025, realizado pelo Gaepe-Brasil e pelo Ministério da Educação.
Mais da metade dos municípios admite que não consegue atender toda a demanda.
Em apenas um ano, a fila cresceu 30,6% — eram 632,7 mil crianças aguardando em 2024. Enquanto isso, a oferta praticamente estagnou. Dados do Censo Escolar 2025 apontam queda de 0,13% nas matrículas em creches, puxada principalmente pela rede privada ( -2,47% ). Na rede pública, o aumento foi tímido: 1,5%, o que representa apenas 29 mil novas vagas — suficientes para atender só 3,5% das famílias que esperam.
Apesar do cenário, o ministro Camilo Santana destacou que a cobertura chegou a 41,8% das crianças de até três anos, alta de dois pontos percentuais em relação ao ano anterior. Ele atribuiu o baixo avanço a uma “questão cultural”, afirmando que muitos pais optam por não matricular os filhos, já que a etapa não é obrigatória.
Especialistas contestam. Para Alessandra Gotti, do Gaepe-Brasil, o aumento da procura — especialmente entre bebês com menos de um ano, que já somam 238 mil na fila — mostra maior confiança das famílias nas creches. O problema, segundo ela, é a incapacidade do poder público de responder à demanda, sobretudo das famílias mais vulneráveis.
A legislação não obriga a matrícula antes dos quatro anos, mas determina que o Estado ofereça vaga quando houver procura. A meta do Plano Nacional de Educação de atender ao menos 50% das crianças até 2024 não foi cumprida.
Enquanto isso, a primeira infância — apontada como chave para reduzir desigualdades — segue na fila.





