Pareceres médicos e técnicos anexados ao inquérito que apura a morte de Thainara Vitória Francisco Santos, de 18 anos, trazem elementos que enfraquecem a tese inicial de morte por asfixia durante abordagem policial e dão base técnica ao Ministério Público para arquivar a investigação em relação aos policiais militares.
Os documentos apontam que, embora houvesse algumas lesões compatíveis com luta corporal e contenção, não foram identificados sinais clássicos e determinantes de estrangulamento no corpo da jovem.
“sinais clássicos de asfixia como a congestão polivisceral (…), petéquias (…), manchas de Tardieu e Paltauf, não foram descritas no exame do corpo” 
Também não foram encontradas lesões internas típicas de constrição no pescoço.
“não foram descritas lesões da mucosa interna da traqueia (…), dos vasos cervicais (…), do nervo vago ou do osso hioide, o que desfavorece a possibilidade de ocorrência de constrição cervical e asfixia” 
Outro ponto considerado relevante é que os pareceres deixam claro que, mesmo os sinais que poderiam sugerir asfixia são inespecíficos e podem ocorrer em outros tipos de morte.
“Não há sinais patognomônicos de asfixia (…). Em geral, o diagnóstico é realizado pelo conjunto das alterações e histórico do caso” 
Possível fragilidade de saúde pré-existente
Os exames anatomopatológicos também indicam a possibilidade de condições de saúde prévias que poderiam ter reduzido a capacidade da jovem de resistir a trauma ou estresse físico.
“podem indicar algum problema de saúde pré-existente, que poderia reduzir a capacidade de resistir a um trauma” 
Entre os achados, os documentos citam alterações pulmonares compatíveis com agressão crônica ao tecido respiratório e alterações cardíacas descritas em literatura médica.
Lesões compatíveis com luta e contenção, mas sem padrão de estrangulamento
As lesões externas registradas foram consideradas, em sua maioria, leves e compatíveis com luta corporal, contenção ou queda, sem padrão específico de esganadura.
“verifica-se que se trata de lesões leves, de pouca gravidade, de origem por ação contundente… podendo estar associadas à luta corporal, contenção ou queda” 
UPA segue sob investigação
Os novos documentos também voltam atenção para o procedimento adotado na UPA, onde há questionamentos sobre a ausência de tentativa de reanimação, já que Thainara chegou em parada cardiorrespiratória.
“investiga-se omissão de socorro (…) uma vez que não teria havido tentativa de reanimação, o que poderia ter tido impacto na morte” 
Os pareceres reforçam que não há comprovação técnica de morte por asfixia causada por policiais, sustentando a decisão do Ministério Público de arquivar o caso em relação aos militares.
Nossa equipe entrou em contato com o pai de Thainara e o advogado da família. O espaço segue aberto às partes.




