O Ministério da Saúde suspendeu nesta segunda-feira ( 8 ) a aplicação da vacina Butantan-DV contra a dengue em todo o país. A decisão foi anunciada em coletiva de imprensa realizada em conjunto com a Anvisa, após o registro de 42 reações severas associadas ao período de aplicação do imunizante.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cerca de 500 mil doses foram aplicadas desde janeiro em três municípios: Botucatu ( SP ), Maranguape ( CE ) e Nova Lima ( MG ). Entre os casos monitorados, foram identificados três eventos graves, incluindo duas mortes. Até o momento, porém, não há comprovação de relação direta entre os óbitos e a vacina.
A suspensão permanecerá em vigor até a conclusão das investigações. As doses já distribuídas deverão continuar armazenadas nas unidades de saúde, mas não poderão ser utilizadas.
Padilha reforçou que as pessoas vacinadas seguem protegidas contra a doença. A recomendação é que quem recebeu o imunizante nos últimos 21 dias acompanhe possíveis sinais adversos e procure atendimento médico em caso de necessidade.
De acordo com o Ministério da Saúde, os eventos identificados são considerados extremamente raros e surgiram após a ampliação da vacinação para um público maior. Durante os estudos clínicos, cerca de 11 mil voluntários receberam a vacina e foram monitorados por vários anos sem que esses episódios fossem observados.
O diretor do Programa Nacional de Imunizações ( PNI ), Eder Gatti, destacou que a vacina passou por todas as etapas exigidas para aprovação pela Anvisa, incluindo estudos de fases 1, 2 e 3. Segundo ele, a investigação atual busca esclarecer eventos que só apareceram após a aplicação em larga escala.
Aprovada pela Anvisa no fim de novembro, a Butantan-DV é indicada para pessoas de 12 a 59 anos. Dados apresentados pelo Ministério apontam eficácia geral de 65% contra a dengue e de 85% na prevenção de casos graves que podem levar à internação ou à morte.
Apesar da suspensão, o governo informou que o cenário da dengue em 2026 segue mais favorável que nos últimos anos. Até o momento, o país registra queda de 92% nos casos da doença em comparação com o mesmo período de 2024 e redução de 97% no número de mortes.





