A demora na investigação do assassinato do trabalhador rural Magno Antônio de França, conhecido como Bala, motivou uma audiência pública realizada na última quarta-feira ( 1º ), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais ( ALMG ).
Parlamentares, representantes de movimentos sociais, advogados e entidades de direitos humanos cobraram mais agilidade na apuração do caso e medidas para combater o aumento da violência no meio rural.
Magno Antônio de França foi assassinado no dia 9 de março de 2025, aos 48 anos, em uma estrada rural no Córrego Taquaraçu, no município de São Geraldo da Piedade.
Segundo a Polícia Militar, a vítima foi atingida por pelo menos quatro disparos de arma de fogo na cabeça. Outros dois projéteis ficaram alojados no capacete usado por Magno.
Ainda conforme a PM, uma testemunha relatou ter visto os suspeitos fugindo do local em uma motocicleta, seguindo em direção ao distrito de Vila Nova Floresta ( Paca ).
O homicídio foi um dos principais temas da audiência promovida em conjunto pelas Comissões do Trabalho e de Direitos Humanos da ALMG, que discutiu a escalada da violência contra trabalhadores rurais e lideranças do campo em Minas Gerais.
Convidado para participar da audiência, o delegado Márdio Bento informou, por meio de ofício, que não pôde comparecer devido a compromissos profissionais previamente assumidos.
Apesar da ausência, ele afirmou que a investigação sobre a morte de Magno Antônio de França recebe “absoluta prioridade” desde a comunicação do crime.
Segundo o delegado, o inquérito permanece em andamento e diversas diligências continuam sendo realizadas para esclarecer completamente o caso e identificar todos os envolvidos.
Entre as medidas adotadas estão oitivas de testemunhas e pessoas de interesse, requisição e análise de laudos periciais, elaboração de relatórios de investigação e outras ações de polícia judiciária.
Márdio Bento informou ainda que foi cumprido um mandado de busca e apreensão na residência de um dos suspeitos investigados. Durante a operação, foram apreendidos materiais que poderão contribuir para o esclarecimento do crime e que seguem sob análise da equipe responsável pela investigação.
O delegado destacou também que ainda aguarda a conclusão de um exame de microcomparação balística, que será realizado pelo Instituto de Criminalística, em Belo Horizonte. Conforme o ofício, essa perícia é considerada fundamental para o avanço das investigações.
Durante a audiência pública, a deputada Bella Campos cobrou justiça para Magno Antônio de França e para outras vítimas da violência no campo. Em pronunciamento, ela afirmou que a Assembleia exige a solução dos assassinatos de “Magno Bala, Gouveia, Zaqueu, Zé dos Peixes e tantas outras pessoas do campo que foram assassinadas nos últimos anos”.
A parlamentar afirmou que não aceitará a impunidade e disse que a falta de responsabilização contribui para a continuidade das violações de direitos, especialmente na região do Vale do Rio Doce e em outras áreas de Minas Gerais.
Segundo Bella Campos, a mobilização em defesa dos trabalhadores rurais continuará até que os crimes sejam esclarecidos e os responsáveis sejam punidos.
📸 Luiz Santana




